Monday, 4 January 2010

"Quando somos pequeninos dizem-nos que a vida é dificil, mas até certa altura não compreendemos a verdade nessas palavras.
Ao longo do tempo vamos experimentando coisas que nunca sonhamos. Aprendemos que todos os actos tem consequências, que cada palavra dita pode ser usada contra nos.
Aprendemos que nem sempre a coisa certa chega na hora certa, e que não podemos agradar a todos.
Que por muito que doa ter o coração partido, o mundo não espera por nos,
Aprendemos a escolher, não entre o certo e o errado, mas entre o coração e a mentem i bom e o mau, e muitas vezes entre nos e os outros.
Aprendemos que por muito que doa, por muito que seja mau, o sol vai continuar a nascer, e que lá fora ninguem quer saber e que no fim, de uma maneira ou de outra, as coisas acabam, bem ou mal."

Reflectes nas palavras que escreveste com quinze anos, e sentas-te, com um sorriso amargo de maturidade indefinida, de quem já sabe isto de cor e salteado. Ás vezes, tal como toda gente, esqueces-te que já, um dia, foste um pobre bezerro, arrastado pelas correntes a tua volta. E que, com o tempo, começaste a criar sistema de defesa, formas de combate, projectos de luta e métodos de deixar de te sentires tão indefeso perante aquilo que te parece inevitável. Convences-te que ao cresceres te tornas-te algo invencível, dentro do teu espaço pessoal. Olhas-te ao espelho, e sorris. Sorris. Achas que acredito neste sorriso? Porque por dentro, continuo a ver o coração que grita. Grita perdido, os sons a serem abafados por toda essa tua segurança, que estala a cada segundo, com cada momento perdido e mal aproveitado. Estala, oh como ele estala. E todas as correntes de emoção, todos aqueles gritos inconformados, não poéticos, pouco profundos e ponderados espalham-se sobre ti, esmagando e sujando toda a tua bonita imagem. A perfeita imagem que tens vindo a criar para ti. De uma segurança estável. Estável? O que é isso? Lembra-te daquilo que eras com quinze anos, quando um dia olhas-te em volta e apercebes-te que se calhar aquele mundo de fantasia não era segurança nenhuma, mas apenas mais um espelho, que se reduzia a cinzas, queimadas por todos aqueles que não querem saber de ti. Pronto, magoei-te agora? Dói sentir, não dói? É disso que te tens que lembrar. De sentir. Sente, sente pelo corpo todo, pela alma e pelo o espírito. Sente de forma a que quando deixares de sentir, foste mais além daquilo que os outros foram. Sentiste com alma e coração. Que mais podes querer desta vida insípida?

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