Monday, 4 January 2010

Nunca ninguém entende porquê o meu imenso amor por transportes públicos, e devo dizer (para não soar hipócrita mais tarde) que ás vezes também não, mas passo a (tentar) explicar.
Todos os dias ando de metro, e todos os dias algo interessante acontece. Pode ser a mais ínfima coisa, o mais menor dos detalhes. Mas está lá. Quando uma criança se ri, maravilhada, com a sua mochila e as suas pequeninas bolachas. Quando uma menina corre, sorrindo quase em jeito de desculpa, para apanhar o metro. Quando um casal se senta junto, e fala. Não são momentos heróicos, nem particularmente grandiosos. São só ocorrências humanas, nano-segundos de emoção. Um faísca, uma colisão.
Faz-me sorrir.
Pondero se só eu os vejo. Quando de manhã vou no metro, olho em volta para as caras fechadas, nem bonitas, nem feias, mas fechadas e de olhos baços. Penso, pergunto e questiono-me silenciosamente se é do sono. Ou se estão a dormir, mesmo por dentro. Apagados, sem luzes (brancas, ou de natal, psicadélicas, seja o que for). Olhos desligados e desapegados. E depois, olho para o meu reflexo, ajeito o cabelo, mas olho-me nos olhos (que experiência tão aterradora) e experimento. Estão baços também?
É por isto, este exercício matinal, filosófico até, que gosto do metro. Quem é que, para além de mim, se interroga da sua existência? Ouvir a mente dos outros havia de ser uma boa dor de cabeça, dentro de uma caixa de metal, subterrânea e a andar a alta velocidade. Que silêncio confortável.
E de vez em quando, um sorriso amigável. Será que me lêem os pensamentos?

No comments:

Post a Comment