Olá, e deixa-me que te diga, este não é um bom começo. Esta carta não sai fluída e as minhas palavras estão destreinadas, cansadas, sentadas no canto da minha mente, e no fundo dos meus dedos, reticentes e medrosas de saírem e viverem. Viverem como quem diz, estão tão vivas como a tua atenção, e ambos sabemos que essa variante onde nunca foi o teu forte, nem o meu privilegio. Os barulhos começaram a ficar mais fortes, e as luzes cegam-me cada vez mais. Tantas vozes, acho que nunca soube bem como explicar, mas são tantas as vozes. São tantos os sons que vou ouvindo, a medida que o resto do mundo se começa a apagar, e os meus olhos começam a parecer cada vez mais pesados. É diferente daquela sensação de sono, de não resistires a fechar os olhos por uns minutos, é completamente diferente, um pouco mais resistível, mas nunca tão agradável. Nunca é tão agradável, acho eu. Não me lembro que alguma vez tenha sido. Não te sei explicar, percebes? Parece que os meus olhos estão a tornar-se cada vez mais grossos, mais pesados. Começam a entrar na minha cara, esmagar o meu crânio, criando grossos papos debaixo dos meus olhos. É uma sensação curiosa. Percebes? Não sei se percebes. Tu nunca percebes nada. ÉS feito de um conjunto de quase-cheios e de vazios inexplicáveis. As vexes parece que encontrei em ti uma espécie de personalidade, que vi nos teus olhos uma luz de criação. Que tens algo ai, mas depois... Que acontece depois? Conta-me, por favor. É uma espécie de desespero vazio. Morres por dentro, é tão, tão frustrante. És tão pequeno, tão pequeno, e insignificante. Tão ridículo.
As vezes dás me vontade de rir. Mesmo. É um certo ar ridículo que tu tens. Com esses desespero todo a borbulhar dentro de ti. És como um quadro de dramas.
Sunday, 20 February 2011
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment