Sinto que caminhei quilómetros, milhares deles. Já não sinto aliás, mas dizem-me que sim. A mente está cansada e o corpo manifesta desgasto.
Paranóia. Não me olho ao espelho.
Apercebo-me que estou no ponto de partida. Onde ? Dizem-me que sim. Ponderei a hipótese de já ter terminado, ter dado uma volta imperfeitamente perfeita. Dizem-me que não.
A verdade assusta-me, essa cabra insensível, que me esfrega na cara, todos os dias, que ainda não saí do mesmo sítio. Observo a minha sombra. Percorre um circuito fechado que me rodeia e limita. Vejo-a com um sorriso trocista. Perturba-me. Não me olho ao espelho.
Ouço a mesma música repetidamente, incansavelmente, não porque a ame. Mas dizem-me que sim.
Noite. Na presença dessa exímia e sábia senhora, os meus pensamentos atormentam-me, fujo, para não chegar à conclusão de que sou miserável. Dizem-me que sim. Não me olho ao espelho.
Desejei que o tempo voltasse atrás, porém este não cedeu ao meu capricho. Parou. Dizem-me que não. Acordei de um sonho inconstante, com períodos de extrema lucidez e períodos de incessante angústia. Dizem-me que não. A verdade é que não durmo.
Dizem-me que sim.
Saí de um carrossel no sítio errado. Não, impossível. Só anda às voltas. Talvez não. Dizem-me que sim.
A incoerência da minha mente tem vindo a aumentar. Ninguém sabe. Tudo rodopia. Dizem-me que não. Vomito.
As caras são diferentes, desfocadas. Neste pedaço de cimento sou uma estranha. Dizem-me que sim.
Thursday, 7 January 2010
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