Sem cautela, vou passando de foto em foto, e vou questionando que motivos, que histórias levaram a que alguém sacasse a máquina (maravilhas do mundo moderno) e vá lá, só mais um sorriso, digam todos queijo!
Olho para a minha geração e questiono-me: Como é que raio é que estes vermes vão chegar aos quarenta? Não aguentamos os nossos pais, não suportamos os nossos amigos, não podemos ver os nossos namorados e namoradas por mais de vinte minutos sem que alguma espécie de discussão comece e nos leve à loucura. Não conseguimos ultrapassar os nossos problemas, a faculdade é só mais um suplício a que nos atiramos, com um alegre sorriso, porque prometemos a nos mesmos que nos vamos ser diferentes. Vá, minha gente, minha geração de falidos, furados e quebrados, nos nunca aguentamos coisa nenhuma. Não podemos ver os mais novos a frente, achamos que somos a ultima boa geração, ou a única que realmente é boa, porque no fundo somos o culminar de tudo o que já aconteceu. Somos a sala de espera de gerações, o que vem entre o que foi épico e real, e a próxima grande luta. Não somos quem irá mudar o mundo, somos quem vai justificar essa mudança. Ainda assim, contentes, sentamo-nos a frente dos nossos computadores, com todos os confortos que nos podem oferecer, e vamos enchendo o mundo virtual com blogs sobre a nossa miséria. Somos tristes pensadores, infelizes servos do destino, e vamos culpando tudo e toda gente pelo que nos corre mal. Nunca somos burros, é o sistema que não nos percebe. Nunca somos arrogantes, apenas incompreendidos. Nunca somos nada, somos apenas o que somos. Adoramos esta filosofia. Nos e o mundo, nos contra o mundo e o mundo contra nos. Ai, somos tão diferentes!
Antes queríamos que nos compreendessem. Agora queremos que nos odeiem. Porque só assim validamos a nossa falta de personalidade. É bem. Como é que vamos chegar aos quarenta? Somos a geração que vive com o suicídio como se fosse apenas mais um cão abandonado. Lidamos com a mutilação como alvo de gracejo. Mentir, bem, é o mais divertido que se pode fazer sem se tirar a roupa, já diz um dos nossos lemas banais. Pergunto-me se aos cinquenta vamos por fotos no facebook do dia do nosso casamento, ou fotos incriminatórias da nossa última tentativa alcoólica de esquecer que já não somos jovens. Somos a geração da juventude. E estamos a envelhecer.
Monday, 2 August 2010
Monday, 26 July 2010
Thursday, 17 June 2010
for a quick epiphany:
i realized that the reason why i would never, ever love the new harry potter theme park is because it would force the child within, the one who is a hardcore believe in magic and in anything that comes with the so beloved soundtrack i know by heart, that it's not real. and it was my mental home for so many years, that the vision of what i have in my heart and mind to be destroyed so cruelly by reality would crush me. well, a bit, anyway. i wish magic was real, and now, as always, i still believe i'll ride out of here in a blue vintage car.
i realized that the reason why i would never, ever love the new harry potter theme park is because it would force the child within, the one who is a hardcore believe in magic and in anything that comes with the so beloved soundtrack i know by heart, that it's not real. and it was my mental home for so many years, that the vision of what i have in my heart and mind to be destroyed so cruelly by reality would crush me. well, a bit, anyway. i wish magic was real, and now, as always, i still believe i'll ride out of here in a blue vintage car.
Tuesday, 1 June 2010
Kimono
Enrosco-me no meu kimonozinho azulão, e vou reconfortando a minha própria alma. Adorei este kimono só pelo facto de ser o oposto do da minha irmã. O dela era absolutamente precioso. Branco, quase transparente, delicado e com um lindíssimo dragão. Na minha imaginação, claro, está soberbo de flores bordadas à mão com delicadeza, e é o kimono perfeito, o meu kimono perfeito. Mas ela é que o tem. O meu é de um tecido mais pesado, ainda que continue a ser leve, é de um azul forte, do tipo de azul que se aceita em verniz para miúdas de doze anos e para meias dos anos 80. Mas, isto nada haver tem com o tópico, realmente. Suspiro. Digo me que está tudo bem, que eu percebo as motivações, justificações. Vou acompanhando o som do macaco que bate palmas na minha cabeça. Palmas ou dois pratos, daqueles que são quase instrumentos musicais mas nenhum musico a sério toca (já alguém conheceu um tocador de pratos? é como um tocador de xilofone. a sua existência é meramente teórica). Vai batendo, paff paff paff, e o resto do meu corpo vai acompanhando o ritmo da musica, silenciosa (porque não existe fora da minha cabeça) e eu vou revendo as imagens na minha cabeça, como que se a ver um álbum de fotos muito, muito desagradáveis. Nostalgia nunca foi um grande hobby (mentirosamentirosamentirosamentirosamentirosamentirosa). Vai, vai, vai... vai batendo na mesma tecla, digo a mim própria, vai batendo e pode ser que um dia, entendendo que o que fazes é errado, chegues ao porque de seres tão comum, tão vendida às ideias que os filmes e a televisão te vão vendendo. Sentas-te e vais-te empanturrando com comida de plástico, que te entope o estômago com ácidos, que te corrói as veias, que as vai enchendo de gordura, amarelada e flácida, que te vai deixando cada vez mais mole. Sentas-te à janela, olhando o mundo com olhos vidrados e mortos, enquanto fumas um e mais outro cigarro, e depressa fumas um maço, dois maços, três maços, até já não sentires o fundo da tua garganta, e imaginas os teus pulmões a morrerem lentamente, como vitimas de um fogo invisível (arde mas não se vê, como o fogo poético), e os teus pulmõezinhos vão gritando de surdina, gemendo que nem crianças para que pares, mas tu estás a ver o carros passar, anestesiada pelos moralmente repreensíveis vícios de nicotina e seja lá o que metem no tabaco. Ai, que vida.
Não que seja complicada, nada disso. É assim, muito simples. Tanto quando a experiência me permite e tanto quando a inteligência me deixa assimilar, não é que haja quem não saiba o que corre mal, é só que gostamos de sofrer. Todos somos masoquistas, de uma forma ou de outra. Mas, ainda assim, tanto faz porque tudo, de uma forma ou de outra (nem que seja por exclusão de partes), nos faz sofrer. Não por que assim tenha que o ser, apenas porque assim o é. Tudo está bem quando acaba bem, e nos entramos em cena, de armas e bagagens, desistimos do sonho, e lá vamos nos, rua fora, com milhares de cenas dos tais filmes (malvados) na cabeça, que nos dizem que sem drama a nossa vida não funciona, simplesmente deixaria de fazer sentido. Ser feliz? Não! Nunca! Só se pode ser feliz depois de muito sofrer, e tem que ser por pouco tempo, ou então ai deixamos de saber "apreciar o que é bom, porque já não conhecemos o mau".
Congelo, sinto a estômago a morrer um bocadinho. Sinto-me tentada a voltar atrás, só para fazer este conflito ir-se embora. Mas sei que isso só me iria trazer mais conversas, mais sentimentalismo, mais e mais e mais e mais. Sentindo o sugar das minhas energias emocionais e o escapulir da minha racionalidade por entre os meus dedos, vou negando beijos com carícias, e dizendo que no fundo, o mundo está melhor sem mim. Devia ter sido actriz.
Não que seja complicada, nada disso. É assim, muito simples. Tanto quando a experiência me permite e tanto quando a inteligência me deixa assimilar, não é que haja quem não saiba o que corre mal, é só que gostamos de sofrer. Todos somos masoquistas, de uma forma ou de outra. Mas, ainda assim, tanto faz porque tudo, de uma forma ou de outra (nem que seja por exclusão de partes), nos faz sofrer. Não por que assim tenha que o ser, apenas porque assim o é. Tudo está bem quando acaba bem, e nos entramos em cena, de armas e bagagens, desistimos do sonho, e lá vamos nos, rua fora, com milhares de cenas dos tais filmes (malvados) na cabeça, que nos dizem que sem drama a nossa vida não funciona, simplesmente deixaria de fazer sentido. Ser feliz? Não! Nunca! Só se pode ser feliz depois de muito sofrer, e tem que ser por pouco tempo, ou então ai deixamos de saber "apreciar o que é bom, porque já não conhecemos o mau".
Congelo, sinto a estômago a morrer um bocadinho. Sinto-me tentada a voltar atrás, só para fazer este conflito ir-se embora. Mas sei que isso só me iria trazer mais conversas, mais sentimentalismo, mais e mais e mais e mais. Sentindo o sugar das minhas energias emocionais e o escapulir da minha racionalidade por entre os meus dedos, vou negando beijos com carícias, e dizendo que no fundo, o mundo está melhor sem mim. Devia ter sido actriz.
Thursday, 25 March 2010
A necessidade de tudo saber e de nada deixar por dizer cria uma espécie de vazio rotineiro na vida das pessoas que não controlam as suas excessividades. Não é um vazio sem sentido, algo que vem de repente e de rajada (como o vento frio do Inverno), mas um vazio preenchido por silêncios longos e desconfortáveis, quando já quase tudo o que havia a dizer naquele espaço de tempo, foi dito. Quantos mais penso nisso, mais concordo comigo mesma. As pessoas foram feitas com temporizadores, não consigo não acreditar nisso. Nem duvidar, sequer. Fomos todos criados com tabelas periódicas, que biologicamente entranham na nossa mente os nossos horários pessoais, os nossos intervalos e em que condições podemos escaparmos-nos de uma ou outra sessão mais penosa e longa. Os nossos pequenos botões(pontos fracos, quiçá). Como todas as escapadelas do convencional, estas criam lacunas, um ou outro vórtex inconstante, onde ou o barco afunda ou resiste. Quando o interesse desaparece, tudo foge...
Monday, 22 March 2010
Quem espera, desespera. Não sei se a ideia é exclusivamente portuguesa, mas vou arriscar e dizer que sim. Que sentimento tão malvado, que sentir do corpo tão cruel... O de esperar, não ver e não querer ver, apenas sofrer pelo que não vem. E as palavras? Deus! Ai essas, que rasgam sem tocar e que tudo tornam em seja o que for que queres que eu sinta. Indecisão, é crónica, mas esse mal é de família, já dizia o meu tio. E lá vão eles... em fila indiana, certinhos e arrumados, que andam e andam...
Sentimento de quem se sente deslocado, e quem não sabe o que diz. Não apenas consoante aquilo que se possa pensar, mas sobre tudo. É um estar deslocado, indefeso e inconstante em todas as constantes necessárias. Que segurança? Essa não existe, nunca a vi. Nunca a vi chegar, por isso não sei se alguma vez partiu. Aperta, desaperta, e como bate, desenfreado, com o arfar de quem mal consegue chegar aonde nem devia estar, quanto menos aonde devia.
Sentimento de quem se sente deslocado, e quem não sabe o que diz. Não apenas consoante aquilo que se possa pensar, mas sobre tudo. É um estar deslocado, indefeso e inconstante em todas as constantes necessárias. Que segurança? Essa não existe, nunca a vi. Nunca a vi chegar, por isso não sei se alguma vez partiu. Aperta, desaperta, e como bate, desenfreado, com o arfar de quem mal consegue chegar aonde nem devia estar, quanto menos aonde devia.
Tuesday, 2 March 2010
a short drop and a sudden stop
Giro e giro e giro e giro mais uma vez. Giro os dedos em volta do tecido, enrugando, alisando e voltando a alisar o tecido que não estava em muita necessidade de ser alisado, mas a quem é que isso interessa? Fico nervosa, e com vergonha (tão pouco típico, tão pouco típico!) e numa tentativa de expulsar algumas palavras, que formam sempre perguntas (eu gosto de fazer perguntas), levanto os olhos do chão ou desvio-os das paredes e pergunto qualquer coisa banal, enquanto lanço novamente os olhos na direcção de um tudo nada que me distraia da pessoa a quem fiz a pergunta. Pareço uma criança, sorrio e deixo-a pensar que sou apenas idiota. Gostava de lhe dizer que sou nada idiota mas muito atrapalhada. Faz alguma diferença. Gaguejando, vou sorrindo sem saber o que dizer. É reflexo, um a vontade sem vontade, sorrindo para tudo e para nada, não percebo bem. Passo a língua pelos dentes, pelo céu da boca, e mordisco os lábios. É fácil ver se estou preocupada ou tímida. Alias, sou um livro aberto quando me conhecem, logo, escusam de o fazer. Mordo o canto da boca, passo a mão pela testa, coço a sobrancelha e o lado da cara. As caras, novas e desconhecidas, não familiares, não me causam deja vus, nunca as vi na rua. Eu cá não reconheço ninguém e ninguém me parece reconhecer. Fico sempre sem saber se isso é uma coisa boa ou má. Passando as mãos na calçada, questiono-me. A corrente de perguntas, de duvidas, de comentários e de ideias vai enchendo e enchendo o meu interior, até que parece que é tarde de mais, e são demasiadas perguntas. Quero saber tudo, a toda a hora, de todas as formas, com todos os pontos de vista. Mas sou lenta de mais para tentar. E depois fico frustrada. E ressinto-me. E não quero isso.
Olho-o nos olhos. Ele olha-me sem rodeios. Encara me cara a cara, com olhos que nem me desafiam, nem me intimidam mas que me estudam. Não se devia cair no erro ou na ideia de que ele sabe que estou ali à tentativa. Não sei nada de fome nem de miséria. O pouco que sei de nada me serve ali, enquanto me fazem rir com piadas obscenas ("sabe o que é que quer dizer obsceno?"). Tem um barrete azul. Notei logo o barrete azul. Tenho fome e tenho frio. Mas enquanto vou ouvindo história da moça do Pingo Doce na Quinta das Conchas, vou pasmando para as pessoas a minha volta (desliga, desliga, desliga, desliga). Pequenos, altos, magros, gordos, feios, bonitos... Misturam-se todos, e vou-me entretendo a criar-lhes histórias. Quais são órfãos, uns pequenos e enfadonhos Olivers? E quais são, sem ninguém saber, prostitutas, ou vendem droga? Claro que o meu panorama enche-se de dramas e de coisas que me interessam. Sentir sempre, de todas as formas, já dizia o outro. Sei que é de brandar aos céus e de me chamar de louca, mas viver na pele dele, do Fernando, por dois dias deve ser interessante. Diz que não toma banho a quatro meses, que quem toma banho são os porcos. Já sem metade dos dentes, os que restam são algo entre o amarelo e o preto, muito coloridos, certamente interessantes e pouco higiénicos. Sem pedir aprovação, lança uma corrente de piadas, revira o olhos, nega e afirma, tudo diz e nada quer, só fala, não come, e entretêm-se com advinhas. Achei-lhe piada.
O que nos leva a ir viver para a rua, pergunto-me. Diz me uma na roda que acha fantástico que tenha encontrado um homem inteligente entre eles. Honestamente, acho que de fantástico isso não tem nada. Só os iluminados é que desistem de viver com os outros, só pode...
Olho-o nos olhos. Ele olha-me sem rodeios. Encara me cara a cara, com olhos que nem me desafiam, nem me intimidam mas que me estudam. Não se devia cair no erro ou na ideia de que ele sabe que estou ali à tentativa. Não sei nada de fome nem de miséria. O pouco que sei de nada me serve ali, enquanto me fazem rir com piadas obscenas ("sabe o que é que quer dizer obsceno?"). Tem um barrete azul. Notei logo o barrete azul. Tenho fome e tenho frio. Mas enquanto vou ouvindo história da moça do Pingo Doce na Quinta das Conchas, vou pasmando para as pessoas a minha volta (desliga, desliga, desliga, desliga). Pequenos, altos, magros, gordos, feios, bonitos... Misturam-se todos, e vou-me entretendo a criar-lhes histórias. Quais são órfãos, uns pequenos e enfadonhos Olivers? E quais são, sem ninguém saber, prostitutas, ou vendem droga? Claro que o meu panorama enche-se de dramas e de coisas que me interessam. Sentir sempre, de todas as formas, já dizia o outro. Sei que é de brandar aos céus e de me chamar de louca, mas viver na pele dele, do Fernando, por dois dias deve ser interessante. Diz que não toma banho a quatro meses, que quem toma banho são os porcos. Já sem metade dos dentes, os que restam são algo entre o amarelo e o preto, muito coloridos, certamente interessantes e pouco higiénicos. Sem pedir aprovação, lança uma corrente de piadas, revira o olhos, nega e afirma, tudo diz e nada quer, só fala, não come, e entretêm-se com advinhas. Achei-lhe piada.
O que nos leva a ir viver para a rua, pergunto-me. Diz me uma na roda que acha fantástico que tenha encontrado um homem inteligente entre eles. Honestamente, acho que de fantástico isso não tem nada. Só os iluminados é que desistem de viver com os outros, só pode...
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