Monday, 4 January 2010
A vida dói a toda gente. Dói tanto que arranca, bocadinho a bocadinho, pedaços da gente.
Bocadinho a bocadinho, que já nem se sente. Arranca sem pudor, com ódio piedoso.
Já nem se sente até sentires tudo de uma vez, até que o ar já não é respirável, o oxigénio esgota-se para ti. Até que a água já não é potável, já não podes beber porque foge da tua boca, e parece que passaste uma eternidade à seca.
E como te atreves, tu a mascarar a crueldade com a dor?
Dor não é desculpa!
Dor é motivo, consequência, culpa e fardo. Mas não desculpa!
Dor de ver, de sentir, de causar, de chorar.
Pois então, morre. Que me cansas.
Morre! Morre para o mundo, porque, sinceramente, o mundo já morreu para ti.
Com essa insensibilidade cheia de certezas, de pretos e brancos e nenhum cinzento. Cinzento é... duvida, cor, amor, ódio, paixão. Cinzento é a verdadeira dor do amor apaixonado, ou amor louco, entregue, cúmplice, confiado e da necessidade de ter. Porque o cinzento é a duvida. Duvida de amar, pois o contrário verifica-se. Amar, amar incondicionalmente é duvidar.
Duvidar de si, dos outros, do mundo, ao passado, do presente, do futuro, do "nós" fugidio e inconstante.
E, logo, cinzento é dor.
É a dor profunda da mistura. De não ser branco, nem ser preto. De não existir definitivamente, apenas... existir.
E tu, que nem és preto nem branco, mas não és cinzento, pois és a escuridão e a luz num só, mas nada entre o meio, és tudo aquilo que resulta da dor sem realmente sentires.
Então, morre.
Morre para o mundo. Que ele morreu para ti.
Não entendo as pessoas, e às vezes pondero as minhas hipóteses de alguma vez vir a sequer começar a entender porque é que as pessoas são tão incrivelmente estúpidas. Não sei. Se calhar eu é que sou muito limitada e tenho um campo de visão muito pouco amplo, não sei, pode ser isso. Pode ser que eu é que não veja as coisas como deve ser, se calhar eu é que ando tapada, com falta de óculos, qualquer merda metafórica que queiram pensar. Pode ser que sim. Mas sinceramente, quando me sento e olho bem para as pessoas a minha volta dá-me um vontade intensa de agarrar na cabeça de algumas pessoas, e muito pouco gentilmente esfregá-las contra as paredes. Com mesmo muitíssima pouca gentileza. Não porque não gosto delas. Mais pelo contrário, pelo oposto. Porque gosto muito delas. E como gosto delas, elas enervam-me. É um fenómeno muito peculiar mas parece que o quanto mais eu gosto de uma pessoa, mais ela me irrita. E quanto mais as pessoas me irritam, mais eu gosto delas. A sério, também, acho que sou muito estúpida, por isso não faz mal chamarem-me de hipócrita, que eu não me vou importar.
Mas ao fim ao cabo, porque é que as pessoas são estúpidas, pode alguém que leia isto perguntar-se. São estúpidas porquê? Mas porque raio é que tu andas para aí a chamar os outros, coitadinhos, de parvos? Sua malvada, credo, és mesmo indecente. E eu, na minha maneira querida de responder, digo-vos porque...
As pessoas são estúpidas porque são cegas. São estúpidas porque são loucas e privadas de sensibilidade social. São estúpidas porque são do pior tipo de cego. Dos cegos que simplesmente não querem ver. São cegas. Atrasadas, retardadas e paradas no tempo, tudo em simultâneo. E oh meu deus, que vontade de lhes bater que me dá. Eu sou pacifista, muito hippie, no fundo mas mesmo no fundo do coração, mas se as pessoas estúpidas deste mundo simplesmente parassem de sair à rua, e passassem todas a ser agorafóbicas, a sério, eu morria feliz. Eu mudava-me para a China, criava crianças abandonadas pelo governo e abria uma loja de coca-colas, qualquer coisa assim. Era uma pessoa realizada.
Cambada de gente estúpida.
Sempre achei doidos interessantes. Sempre vi um certo humor (vá, distorcido) na forma como vêem o mundo. E pergunto-me como é que o que se passa a frente deles lhes parece. Se vêem as cores de outra cor, se vêem o céu mais ou menos azul do que eu, ou outra pessoal qualquer. O que os torna dementes e a mim não?
Não sei, sinceramente, não faço a menor, a mais mínima, a mais pequena ideia. Não sei e não se entende. Chamem-me doida mas sempre quis ser demente. Ou considerada como tal. Não posso explicar porque, também porque não quero, mas sempre o quis. Acho a vida e o mundo tão incrivelmente desinteressantes que suponho que ser lunático deve ter o seu charme. Nada é o que é, e tudo nos faz ou extremamente felizes ou extremamente zangados. Não existem coisas como intermédios depressivos ou pausas de lentidão emocionalmente frustrantes. Tudo é extremo, tudo vai do oito ao oitenta, e tudo é vivido, numa exaustão emocional contínua e profunda. Ou seja, tudo é simples. E se tudo é simples, nada é complicado. E eu não gosto de complicações. Deixam-me fora de mim. Mas enfim. Não entendo o medo da loucura. Somos todos meio loucos, no fundo, admiro aqueles que por alguma falta de travão social o deixam mostrar. Excêntricos, chamem-lhe o que quiserem. Ao menos os filhos da puta são interessantes.
Farta do negro que não vê no interior das suas pálpebras, abre os olhos, mas continua a ignorar o resto dos passageiros, olhando o que se passa lá fora. Nunca é capaz de dormir por muito tempo num carro. Invariavelmente, por muito cansada que esteja, por muito farta, irá abrir os olhos e observar com uma maravilha digna de uma criança que nunca saiu de casa tudo o que se passa à sua volta. Tudo a fascina, mesmo que isso a envergonhe. Nada é igual, parece que a beleza é circundante mas não central, pelo menos para ela. Tudo é belo à sua volta, por dentro tudo é escuridão.
theatrics doesn’t attract me -
call me old fashion but tradition doesn’t scare me.
it doesn’t scare but it doesn’t appeal either,
so i don’t know what i’m after, really.
you know, it was broken and mended but
the cracks don’t fade away.
it beats all the same but the beat seems too hard
to be soft sometimes and easy in some ways.
it struggles through the pressure but darling,
it doesn’t seem to mind.
it has a sense of humour, this heart of mine.
the expression of depression, my, it has never
bothered me! the theatrics and the antics of the
actors in the hustle of emotion never seem to affect me.
much do i prefer the peace in quiet of the chaos
inside of me, inside of us, inside of you.
chaos? chaos, you could say, or in some ways,
the desperate anarchy of feelings -
raging, raving, this rumbling ruckus that we feel.
stony, we feel.
I admit that... I am a spiritualist. I believe in the good of people, or I tend to believe that everyone is capable of good, even the worst of men and women. I believe in things beyond our eyes can see and beyond our physical grasp. Tell me you've seen a ghost, I'll interestedly listen. Tell me of old stories and tales of the beyond and of the old, I will happily sit for hours and talk. Philosophy, literature, horror, fantasy. I have the most natural of tendencies for all that is far-fetched, imaginative and creative. But tell me you've known of a love that last forever, and I will sympathetically smile at you, as I sceptically tell you that I'm no love fan. Not even a fan of love song, not even a fan of romance. I'm just not. Now, granted this doesn't make me the best of lovers, as I tend to shriek and hide whenever we move past physical, and get emotional. Emotions? They're fine. I really do find them interesting. I love to find what makes you tick and shout, what makes you happy, sad, pouting, yelling. I love emotions almost as much as I love causing situations that triggers them, but that's the cruel side of me jumping in. But I don't understand... that feeling of butterflies in your stomach. The weak knees, the flabby legs, the way you seem to change, shift on the inside. That warm, gripping hold over your heart, as the coldness you didn't know was there begins to disappear, being replaced by this oddly filling feeling of... peace.