Era uma noite como outra qualquer.
Isabel tinha esperado que os seus familiares fossem dormir.
Saber que a casa lhe pertencia, porque todos os outros se encontravam profundamente perdidos no desconhecido domínio dos sonhos trazia-lhe conforto.
Estava frio. Munida de uma manta laranja, não, quase laranja, dirigiu-se à sua casa-de-banho (sua, Isabel apreciava em particular este pronome possessivo) para saciar o seu ordinário e nojento hábito.
De armas em punho, abriu a janela cuidadosamente, para se suicidar uma vez mais. Pegou no pequeno instrumento que dá fogo e acendeu mais um daqueles frágeis e poderosos paus. Não mais um, mas sim o último, o derradeiro.
Na quietude da noite, Isabel devorou contidamente aquela dose de veneno em forma de cilindro. Numa noite como outra qualquer, não era aspirar o fumo que lhe trazia satisfação, mas sim, ouvir o som do papel queimar enquanto o fazia. Aquele crepitante e delicioso som mediante o silêncio ensurdecedor, daquela noite, noite como outra qualquer, trazia-lhe sossego. Olhou para o lado e viu a sombra das suas pestanas, sorriu, em paz.
Isabel era uma rapariga como outra qualquer, acenava a cabeça quando não prestava atenção, enrolava o cabelo quando estava distraída. Adorava andar num comboio vazio, como que fantasma, e vivia no seu próprio mundo como outro qualquer adolescente.
Não gostava de insónias porém tinha-as frequentemente. Simplesmente não dormia.
E naquela noite, uma noite como outra qualquer, mais uma noite em que não dormia, Isabel, uma rapariga como outra qualquer, desistiu. Deixou-se ir, naquela noite fria de Dezembro, Isabel sucumbiu.
Seria encontrada na manhã seguinte, manhã diferente de outra qualquer, deitada no chão, com um perturbador sorriso mórbido nos lábios. Isabel finalmente adormecera.
Nunca se soube a causa de tal (in)feliz acontecimento.
Mas foi uma noite, como tantas outras, uma noite como outra qualquer, a noite em que Isabel morreu.
Saber que a casa lhe pertencia, porque todos os outros se encontravam profundamente perdidos no desconhecido domínio dos sonhos trazia-lhe conforto.
Estava frio. Munida de uma manta laranja, não, quase laranja, dirigiu-se à sua casa-de-banho (sua, Isabel apreciava em particular este pronome possessivo) para saciar o seu ordinário e nojento hábito.
De armas em punho, abriu a janela cuidadosamente, para se suicidar uma vez mais. Pegou no pequeno instrumento que dá fogo e acendeu mais um daqueles frágeis e poderosos paus. Não mais um, mas sim o último, o derradeiro.
Na quietude da noite, Isabel devorou contidamente aquela dose de veneno em forma de cilindro. Numa noite como outra qualquer, não era aspirar o fumo que lhe trazia satisfação, mas sim, ouvir o som do papel queimar enquanto o fazia. Aquele crepitante e delicioso som mediante o silêncio ensurdecedor, daquela noite, noite como outra qualquer, trazia-lhe sossego. Olhou para o lado e viu a sombra das suas pestanas, sorriu, em paz.
Isabel era uma rapariga como outra qualquer, acenava a cabeça quando não prestava atenção, enrolava o cabelo quando estava distraída. Adorava andar num comboio vazio, como que fantasma, e vivia no seu próprio mundo como outro qualquer adolescente.
Não gostava de insónias porém tinha-as frequentemente. Simplesmente não dormia.
E naquela noite, uma noite como outra qualquer, mais uma noite em que não dormia, Isabel, uma rapariga como outra qualquer, desistiu. Deixou-se ir, naquela noite fria de Dezembro, Isabel sucumbiu.
Seria encontrada na manhã seguinte, manhã diferente de outra qualquer, deitada no chão, com um perturbador sorriso mórbido nos lábios. Isabel finalmente adormecera.
Nunca se soube a causa de tal (in)feliz acontecimento.
Mas foi uma noite, como tantas outras, uma noite como outra qualquer, a noite em que Isabel morreu.
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