Sunday, 16 January 2011

Estou um bocado farta do mundo.
Vá, não comeces com olhares de saloio, não me olhes com desdém, não me digas que sou apenas (melo)dramática, e que tenho mania de que todo o mundo me odeia. O mundo não me odeia, nem me ama, nem coisa nenhuma, e eu não sou dramática. Pelo menos, não sou muito. Vá, apenas algumas veias e artérias, que decidem que o meu sangue deve correr de forma teatral, como nos filmes, em câmara lenta, enquanto me exalto. Mas estava eu a dizer, eu estou a ficar exausta de ver o mundo. O mundo e as pessoas que com ele vem. Não as pessoas que me acompanham, que se sentam comigo na plateia, mas sim das pessoas que pelo palco caminham, entram e saem, e que me deixam cansada e sem sinapses e biológiquices afins.

Sunday, 3 October 2010

Não quero falar. Não quero, merda. Não quero dizer nada, não quero partilhar, não quero palavras vazias a escaparem-me da boca, a escorrerem como veneno duvidoso e imbecil dos meus lábios. As tuas palavras são só mentiras, só mentiras. Dizes tudo, dizes tudo. Esgotas o teu dicionário emocional e o teu vocabulário culto em frases feitas, dizes me tudo tudo mas tudo o que tu dizes não passam de mentiras feias. És feio, tudo em ti é feio. Tudo em ti é repugnante, tudo em ti me causa nojo. Tudo em ti me faz odiar-te, e me faz detestar a tua presença e ansiar a tua saudade. Porque a vou ter. Terei saudades do teu riso e da tua voz, que me parece mais doce quando não estás cá. Romantizo o teu ser, crio formas de te ver que realmente não devia, pois não és nem rei, nem sonho, não passas de um outro ser feio. Sois todos feios, foda-se, feios que fode. Fode me a mente, que nem foda bruta e crua, que sejam todos tão feios e tão bruscos, são desenhos sem curvas, apenas lados e bicos que ferem a vista. É ódio, é ódio! Se soubesses o quanto não te consigo suportar, o quanto me irritas e enervas, a vontade que me dás de me atirar contra as pessoas que por nos passam e de lhes gritar "Tira-me daqui, substitui-me, deixa-me ser outrem por um dia!". Mas quando nisto penso, pergunto-me, será que os outros também se sentem assim? Suponho que sim. Diz me tu. Alguma vez te sentiste o mais deslocado no meio da multidão? Parece que nenhum olhar é sincero, que todos te detestam. Suponho que todos no sentimos assim. No fundo, vá, bem lá no fundo, todos nos detestamos as pessoas que se sentam ao nosso lado. Preferimos aqueles que não nos conhecem, que não sabem dos horrores podres que vamos escondendo, do macabro que temos dentro de nos. Os que não nos conhecem apenas vem o lado humano, aquele lado romantizado, enfeitado e maquilhado com a máscara de selecção. Não somos a pessoa que parecemos ser, somos a pessoa que mais detestamos. A pessoa que tu mostras ser aos outros feios? Essa pessoa, bem, tu sabes bem que não és tu. És a puta fraude, a puta desgraça. És apenas uma pessoa criada por ti, que foste cuidadosamente seleccionando detalhes e lhe deste o teu nome. E que bonita é, essa pessoa! É tão perfeita e simples, olha como brilha ao sol, olha como não se lhe vem as falhas e os lados lascados do uso e de serem quebrados por tudo. São bonitos, sim senhor. Mas a mim não me enganas, meu amor. No fundo, eu sei, porque eu vejo, no fundo tu és apenas mais um, e oh, como tu o odeias. Tu és merda. E quando já nem te lembras disto, de repente, assalta-te a memória e as paranóias. És tu a falha, és tu a porra de merda da filha da puta da falha, seu aborto de merda. És tu, que hilário, és tu. Eu odeio-te mesmo. Daquele ódio que consume, que vai mordendo e comendo as minhas extremidades, que me controla o corpo e me viola os movimentos, pondo me numa pilha de nervos. Por isso, percebe de uma vez. Eu não quero falar nisso, eu não quero ter que te explicar que no fundo, há dias, em que odeio todo o mundo e todos aqueles que o sabem ver, que sabem reconhecer nos meus olhos o que me vai na alma. Deixo de ser de carne e osso, passo a ser de fúria e bílis, que vai derretendo a minha humanidade. E é por isso que não o quero partilhar, porque nem eu o consigo suportar.

Monday, 2 August 2010

Sem cautela, vou passando de foto em foto, e vou questionando que motivos, que histórias levaram a que alguém sacasse a máquina (maravilhas do mundo moderno) e vá lá, só mais um sorriso, digam todos queijo!

Olho para a minha geração e questiono-me: Como é que raio é que estes vermes vão chegar aos quarenta? Não aguentamos os nossos pais, não suportamos os nossos amigos, não podemos ver os nossos namorados e namoradas por mais de vinte minutos sem que alguma espécie de discussão comece e nos leve à loucura. Não conseguimos ultrapassar os nossos problemas, a faculdade é só mais um suplício a que nos atiramos, com um alegre sorriso, porque prometemos a nos mesmos que nos vamos ser diferentes. Vá, minha gente, minha geração de falidos, furados e quebrados, nos nunca aguentamos coisa nenhuma. Não podemos ver os mais novos a frente, achamos que somos a ultima boa geração, ou a única que realmente é boa, porque no fundo somos o culminar de tudo o que já aconteceu. Somos a sala de espera de gerações, o que vem entre o que foi épico e real, e a próxima grande luta. Não somos quem irá mudar o mundo, somos quem vai justificar essa mudança. Ainda assim, contentes, sentamo-nos a frente dos nossos computadores, com todos os confortos que nos podem oferecer, e vamos enchendo o mundo virtual com blogs sobre a nossa miséria. Somos tristes pensadores, infelizes servos do destino, e vamos culpando tudo e toda gente pelo que nos corre mal. Nunca somos burros, é o sistema que não nos percebe. Nunca somos arrogantes, apenas incompreendidos. Nunca somos nada, somos apenas o que somos. Adoramos esta filosofia. Nos e o mundo, nos contra o mundo e o mundo contra nos. Ai, somos tão diferentes!

Antes queríamos que nos compreendessem. Agora queremos que nos odeiem. Porque só assim validamos a nossa falta de personalidade. É bem. Como é que vamos chegar aos quarenta? Somos a geração que vive com o suicídio como se fosse apenas mais um cão abandonado. Lidamos com a mutilação como alvo de gracejo. Mentir, bem, é o mais divertido que se pode fazer sem se tirar a roupa, já diz um dos nossos lemas banais. Pergunto-me se aos cinquenta vamos por fotos no facebook do dia do nosso casamento, ou fotos incriminatórias da nossa última tentativa alcoólica de esquecer que já não somos jovens. Somos a geração da juventude. E estamos a envelhecer.

Monday, 26 July 2010

duas crianças e um pau. duas crianças e uma bola, duas crianças e um gato, duas crianças e muitas coisas entre si.
cada criança vai puxando a brasa a sua sardinha, e cada um parece cada vez mais idiota. a idade não perdoa, foda-se.

Thursday, 17 June 2010

for a quick epiphany:
i realized that the reason why i would never, ever love the new harry potter theme park is because it would force the child within, the one who is a hardcore believe in magic and in anything that comes with the so beloved soundtrack i know by heart, that it's not real. and it was my mental home for so many years, that the vision of what i have in my heart and mind to be destroyed so cruelly by reality would crush me. well, a bit, anyway. i wish magic was real, and now, as always, i still believe i'll ride out of here in a blue vintage car.

Tuesday, 1 June 2010

Kimono

Enrosco-me no meu kimonozinho azulão, e vou reconfortando a minha própria alma. Adorei este kimono só pelo facto de ser o oposto do da minha irmã. O dela era absolutamente precioso. Branco, quase transparente, delicado e com um lindíssimo dragão. Na minha imaginação, claro, está soberbo de flores bordadas à mão com delicadeza, e é o kimono perfeito, o meu kimono perfeito. Mas ela é que o tem. O meu é de um tecido mais pesado, ainda que continue a ser leve, é de um azul forte, do tipo de azul que se aceita em verniz para miúdas de doze anos e para meias dos anos 80. Mas, isto nada haver tem com o tópico, realmente. Suspiro. Digo me que está tudo bem, que eu percebo as motivações, justificações. Vou acompanhando o som do macaco que bate palmas na minha cabeça. Palmas ou dois pratos, daqueles que são quase instrumentos musicais mas nenhum musico a sério toca (já alguém conheceu um tocador de pratos? é como um tocador de xilofone. a sua existência é meramente teórica). Vai batendo, paff paff paff, e o resto do meu corpo vai acompanhando o ritmo da musica, silenciosa (porque não existe fora da minha cabeça) e eu vou revendo as imagens na minha cabeça, como que se a ver um álbum de fotos muito, muito desagradáveis. Nostalgia nunca foi um grande hobby (mentirosamentirosamentirosamentirosamentirosamentirosa). Vai, vai, vai... vai batendo na mesma tecla, digo a mim própria, vai batendo e pode ser que um dia, entendendo que o que fazes é errado, chegues ao porque de seres tão comum, tão vendida às ideias que os filmes e a televisão te vão vendendo. Sentas-te e vais-te empanturrando com comida de plástico, que te entope o estômago com ácidos, que te corrói as veias, que as vai enchendo de gordura, amarelada e flácida, que te vai deixando cada vez mais mole. Sentas-te à janela, olhando o mundo com olhos vidrados e mortos, enquanto fumas um e mais outro cigarro, e depressa fumas um maço, dois maços, três maços, até já não sentires o fundo da tua garganta, e imaginas os teus pulmões a morrerem lentamente, como vitimas de um fogo invisível (arde mas não se vê, como o fogo poético), e os teus pulmõezinhos vão gritando de surdina, gemendo que nem crianças para que pares, mas tu estás a ver o carros passar, anestesiada pelos moralmente repreensíveis vícios de nicotina e seja lá o que metem no tabaco. Ai, que vida.

Não que seja complicada, nada disso. É assim, muito simples. Tanto quando a experiência me permite e tanto quando a inteligência me deixa assimilar, não é que haja quem não saiba o que corre mal, é só que gostamos de sofrer. Todos somos masoquistas, de uma forma ou de outra. Mas, ainda assim, tanto faz porque tudo, de uma forma ou de outra (nem que seja por exclusão de partes), nos faz sofrer. Não por que assim tenha que o ser, apenas porque assim o é. Tudo está bem quando acaba bem, e nos entramos em cena, de armas e bagagens, desistimos do sonho, e lá vamos nos, rua fora, com milhares de cenas dos tais filmes (malvados) na cabeça, que nos dizem que sem drama a nossa vida não funciona, simplesmente deixaria de fazer sentido. Ser feliz? Não! Nunca! Só se pode ser feliz depois de muito sofrer, e tem que ser por pouco tempo, ou então ai deixamos de saber "apreciar o que é bom, porque já não conhecemos o mau".

Congelo, sinto a estômago a morrer um bocadinho. Sinto-me tentada a voltar atrás, só para fazer este conflito ir-se embora. Mas sei que isso só me iria trazer mais conversas, mais sentimentalismo, mais e mais e mais e mais. Sentindo o sugar das minhas energias emocionais e o escapulir da minha racionalidade por entre os meus dedos, vou negando beijos com carícias, e dizendo que no fundo, o mundo está melhor sem mim. Devia ter sido actriz.

Thursday, 25 March 2010

A necessidade de tudo saber e de nada deixar por dizer cria uma espécie de vazio rotineiro na vida das pessoas que não controlam as suas excessividades. Não é um vazio sem sentido, algo que vem de repente e de rajada (como o vento frio do Inverno), mas um vazio preenchido por silêncios longos e desconfortáveis, quando já quase tudo o que havia a dizer naquele espaço de tempo, foi dito. Quantos mais penso nisso, mais concordo comigo mesma. As pessoas foram feitas com temporizadores, não consigo não acreditar nisso. Nem duvidar, sequer. Fomos todos criados com tabelas periódicas, que biologicamente entranham na nossa mente os nossos horários pessoais, os nossos intervalos e em que condições podemos escaparmos-nos de uma ou outra sessão mais penosa e longa. Os nossos pequenos botões(pontos fracos, quiçá). Como todas as escapadelas do convencional, estas criam lacunas, um ou outro vórtex inconstante, onde ou o barco afunda ou resiste. Quando o interesse desaparece, tudo foge...